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China vai na contramão global com meta modesta de crescimento

Escrito por Bruno

(Bloomberg) — O governo da China estabeleceu uma meta conservadora de crescimento econômico para este ano. No lugar da recuperação, o foco será em desafios de longo prazo, como controlar a dívida e reduzir a dependência tecnológica dos Estados Unidos.

A meta de crescimento foi fixada acima de 6%, bem menor do que as previsões de economistas, com estimativa de queda do déficit orçamentário para 3,2% do PIB, disse o primeiro-ministro da China, Li Keqiang, durante a abertura do Congresso Nacional do Povo na sexta-feira.

Em nítido contraste com países como os EUA, onde o governo Biden tenta aprovar um novo pacote de estímulo de US$ 1,9 trilhão, a China traçou um plano para normalizar as políticas agora que a pandemia está sob controle e a economia se recuperou.

O governo estabeleceu uma meta modesta de crescimento para 2021, em contraste com a expansão de 8,4% prevista por economistas, o que permite às autoridades se concentrarem em ambições de longo prazo, como desenvolver indústrias de alta tecnologia e apoiar gastos dos consumidores.

“Uma meta de mais de 6% permitirá que todos dediquemos energia total para promover reformas, inovação e desenvolvimento de alta qualidade”, disse Li.

Com a expansão da economia mais rápida do que os níveis pré-pandemia nos meses finais do ano passado, a meta pode ser alcançada sem qualquer crescimento trimestral durante o resto de 2021.China Rebound© Bloomberg China Rebound

“O governo definiu uma meta de crescimento econômico mais flexível para deixar espaço para reformas estruturais e incertezas pandêmicas”, disse Bruce Pang, chefe de pesquisa macro e estratégica da China Renaissance Securities Hong Kong.

A estratégia de tecnologia do governo de Pequim foi detalhada em um novo plano quinquenal entre 2021-2025, que aumenta investimentos e pesquisa em chips avançados e inteligência artificial. Os gastos com pesquisa e desenvolvimento devem subir mais de 7% ao ano durante o período.

A China foi a única grande economia a se expandir no ano passado. Com a recuperação do país asiático em forma de V e as recessões nos EUA e em outras nações, a China pode se tornar a maior economia do mundo em 2028, dois anos antes do esperado, de acordo com projeções de vários bancos, como Nomura Holdings.

Autoridades estão preocupadas com o aumento da dívida e bolhas de ativos e começaram a sinalizar a retirada dos estímulos monetários e fiscais implementados no ano passado.

“Ao prevenir e neutralizar os riscos no setor financeiro e em outras áreas, enfrentamos tarefas enormes”, disse Li a milhares de delegados reunidos no Grande Salão do Povo em Pequim. Ele listou os baixos gastos dos consumidores, investimento inconstante, falta de inovação e o peso da dívida dos governos locais como desafios para a economia.

“O governo tem observado que o consumo interno não está se recuperando com força suficiente, então precisam manter os gastos do governo para compensar os riscos de perdas”, disse Bo Zhuang, economista-chefe para a China da TS Lombard.Fiscal Pullback

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